Município


História de Quevedos


Dados abstraídos do livro "TERRA DE VILA RICA", autor Firmino Costa, publicado em 1991.

Os Pioneiros e as Sesmarias

José de Quevedo de Macedo


Até o presente momento, sabe-se que talvez o primeiro a chegar às terras do município foi o paulista José de Quevedo de Macedo, erroneamente chamado de José Macedo de Quevedo. Era sorocabano de nascimento. Teria vindo, provavelmente, de sua terra natal, logo após a incorporação do território missioneiro. Em 1802 já se achava na "costa do Toropi", no então Distrito de São Xavier, Província das Missões.

Estabeleceu-se, com criação de animais vacuns e cavalares, entre os Rios Toropi e Toropi-Mirim, hoje Município de Quevedos, em terras da antiga Estância de São Domingos (jesuítica).

O ano certo de sua chegada, 1802, é dado pelo próprio Macedo em uma ação possessória movida contra seu genro, Francisco José Vargas, que se estabelecera num rincão de campo de sua propriedade. Macedo havia determinado um local para o casal se fixar e Francisco, dizendo que a terra lhe pertencia, estabeleceu-se noutro, daí a demanda judicial (Autos de José de Quevedo de Macedo e sua esposa. Réu, Francisco J. de Vargas. Ano, 1835 - auto 488, Maço 15, Estante 132 - Arquivo Público de Porto Alegre).

Segundo testemunho de Salvador Paes, que aí veio se estabelecer em 1815/16, já encontrou Macedo "com casas e mangueiras, tempo em que naquelas imediações o dito Quevedo era o único morador". Manoel José Machado, morador do Distrito de São Xavier e natural da Província de São Paulo, diz: "que José Quevedo é o primeiro povoador do terreno em questão."

Não resta, portanto, a menor dúvida que José de Quevedo de Macedo tenha chegado às terras que iriam constituir o Distrito de Quevedos em 1802 e tenha sido o seu primeiro morador. Em 9 de janeiro de 1831, Macedo dá os seguintes limites para suas terras:

"De frente a fundo, pelo Dursanal de São João Mirim. Pelo leste faz divisa com Salvador Teixeira. A oeste com Francisco de Souza. De São João segue rumo ao Capão Ralo e seguindo uma coxilha seca a procurar por uma vertente que nasce de uma sanga e deságua em um arroio que vai fazer barra no Toropi e vai formar fundos no sul."

José de Quevedo de Macedo casou a primeira vez em Sorocaba, em 1781, com Ana Maria da Silva (também chamada de Ana Gomes), de quem teve, pelo menos, nove filhos: Januário e Joaquim (nascidos em Sorocaba), José, Ignácio (falecido antes de seu irmão homônimo), Antonio, Manuel, Francisco, João Antonio e Ignácio.

Acredita-se que todos tenham nascido em Sorocaba e, acompanhando seu pai, radicaram-se no Distrito. É provável também que Ana Maria tivesse acompanhado até a costa do Toropi e, talvez, tenha aí falecido antes de 1814. Nada se sabe ao certo, o óbito não foi encontrado e outra hipótese é que Macedo já teria vindo acompanhado daquela que seria a seus segunda mulher.

Contam os mais antigos moradores de Quevedos (Lindolfo e Napoleão Alves Bueno, Ernesto Lampert e Inocêncio Soares dos Santos - entrevistados em 1977), que o velho Quevedo de Macedo teria se estabelecido nas proximidades do atual "Cemitério Velho", ainda hoje existente na Vila (hoje Município).

Depois de levantar os ranchos e mangueiras, teria construído uma capelinha de lascão de madeira, coberta de tabuinhas, em cujo altar colocou uma pequena imagem de Nossa Senhora dos Remédios, santa de sua devoção, que ele havia trazido no bolso do colete. Montou também o pequeno sino de bronze que trouxera no lombo de uma mula.

O som das primeiras badaladas atrairia os índios da região, que ele começou a catequizar. Ainda hoje existe a imagem (10 cm de altura) de Nossa Senhora dos Remédios, o sino e uma pia batismal de madeira, com data de 1810 gravada. Contam que teria pertencido a essa primeira capela.

O primeiro filho de José de Quevedo de Macedo a nascer no lugar foi Cândido (Bueno de Quevedo), batizado em 25 de dezembro de 1815, na Capela de Santa Maria. Era filho de sua segunda mulher, Antônia (Bueno) Machado, natural da Vila de Castro, de Campos Gerais (hoje Paraná).

Os demais filhos desse casal, ali nascidos, foram batizados na mesma capela que era, na época, a que ficava mais perto do lugar: Bento (1810), João (1820 - bisavô de Lindolfo e Napoleão Alves Bueno), Balbina (1821), Ana, Sepriano (1823), Maria Madalena, João Antônio, uma filha (a que se casou com Francisco José de Vargas), Militão, Áurea Buena, Maria do Carmo, Maria do Rosário e Cândido Bento.

Conseguiu-se, portanto, determinar 23 filhos de José de Quevedo de Macedo, sendo 14 do segundo matrimônio e com o sobrenome Bueno de Quevedo.

Achando-se doente, o velho Quevedo, pediria para ser enterrado na capelinha e teriam feito a sua vontade. Sua morte ocorreu em 1842. Essa capela de madeira foi consumida pelo tempo e seu quadro, cercado de taipa de pedra, começou a ser usado como cemitério que existe ainda hoje, em ruínas e esse "Cemitério Velho", dentro da Vila de Quevedos, é o mais antigo do Município.

A "Capela dos Quevedos" ou a "Igrejinha dos Quevedos", de pedra e barro, que tem em seu frontespício o ano de "1820", teria sido construída por seus filhos.

Contam também que, o velho pioneiro teria achado um lugar melhor e mudado para a "Figueira" (atual Fazenda de Ernesto Segundo Lampert). É o seguinte o requerimento que ele fez, em 27 de outubro de 1821, pedindo a concessão de uma sesmaria:

"...Cel. Paulette

Quartel General em Porto Alegre

Ilmo e Exmo. Sr.

Diz José de Quevedo de Macedo, que ele, suplicante, se acha de posse, estabelecido em um rincão de campo sito sobre a serra de São Martinho, e que faz boqueirão ao norte, e ao fundo ao sul para dita serra dividindo-se a parte leste com o Rio Toropi (sic) e a oeste com o arroio denominado Lajeado, onde o suplicante conserva porção de animais vacuns e cavalares e assim mesmo casas, roças e outras benfeitorias e porque quer possuir legitimamente o terreno de que está de posse para tanto P. A. V. Exª haja por bem conceder ao suplicante a sesmaria de 3 léguas de cumprimento, e uma de largo mercê que o suplicante implora em nome de sua majestade e para tento espera

R. M.ce"

Ao pé da pagina:

"Como propõe, Francisco de Paula e Silva"

Nas costas, além do selo:

"Cruz Alta 15.7.1835

Mandaram ouvir os hereos confiantes: "Quartel em São Francisco de Borja, 21 de fevereiro de 1830."

Embaixo, o parecer:

"Ilmo. Sr.

Segundo a conciliação feita entre as partes como V. S. verá pelas respostas dos hereos acham-se satisfeitas e sem embaraços algum o terreno que o suplicante requer pelas divisas entre eles acertadas......... (trecho do texto ilegível)

São Martinho, 21 de janeiro 1831.

Bento Barreto do Amaral Fontoura
Gen. Cmt. Do Distrito"


Em 21 de janeiro de 1831, portanto, José de Quevedo de Macedo estava apto a obter do Governo Geral uma sesmaria entre os Rios Toropi e Toropi-Mirim.

Deixou como herança, para a viúva e filhos, uma área de campo e matos de 53,3 quadras: o "Rincão da Casa", com 3.602,2 ha e o "Rincão de Carfá", com 1.036,8 ha.

Documento contendo a Assinatura de José de Quevedo de Macedo

 

 

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